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O Ladrão de Templates Grátis

Desenvolvimento

Outro dia andei discutindo com um rapaz pelo Twitter porque ele usa templates free, ou “piratas”, instala em um WordPress e assina como se ele fosse o designer (ou desenvolvedor) responsável. Isso se repete em todos os sites que ele fez, inclusive no seu próprio. Não fez nem questão de mudar uma cor ou uma forma. O problema é que essas pessoas revendem os sites para clientes. Alguns até compram, mas também somente para revender. A discussão começou por conta de uma notícia antiga, sobre o bispo que disse que, para manter seu blog, gasta mais de 107 mil reais por mês e ainda pediu ajuda dos seus seguidores para manter.

Você sabe quanto custa ser um designer? E quanto custa ser um programador? E pior! Sabe quantas pessoas fizeram faculdade (ou até autodidatas), estudaram muito, fizeram bons cursos e/ou leram bons livros? Pois é… mas para alguns, isso não tem valor.

Porém, esse rapaz não foi o primeiro a fazer esse tipo de trambicagem. Empresas estão se fortalecendo baseado nessa ideia absurda. Isso está acontecendo muito com gráficas rápidas, que resolvem vender sites para aumentar sua renda. O problema é que elas geralmente não fazem os sites, mas pegam templates grátis e trocam o “desenvolvido por”. E nem tomam o cuidado de disfarçar e no código, podemos até ver o nome dos templates.

Euclides Site

Na imagem abaixo, vocês podem ver um detalhe de uma das conversas que eu tive com uma ex-aluna de mídias sociais que trabalhava em uma empresa que fazia esse tipo de “trabalho” (ocultei o nome e a foto porque ela não necessariamente é a responsável, mas uma funcionária).

Conversa sobre Templates

Depois dessa conversa ela me bloqueou. Ela e seus colegas de trabalho. Porém, eu fui na página do Facebook deles e deixei uma mensagem “bonita”. Claro, que eles apagaram, aí eu deixava de novo. Mas na terceira vez fiz melhor. Resolvi colocar no Twitter dos clientes deles um link para o site original de onde eles pegavam os templates. Infelizmente, é comum que essas mesmas empresas que prestam esse serviço são quem tomam conta das mídias.

O Site de um rapaz, chamado Nilton Câmara (que foi a vítima), foi um dos maiores exemplos de cara de pau de uma prestadora de serviço da área de tecnologia. Realmente não mudaram nada, nem uma cor ou um símbolo, e ainda colocaram no canto: Website Design by Conhecimento Digital. Copyright 2012.

Nilton Camara Site

Afinal, qual o problema disso?

Primeiro lugar, vamos a questão ética. Você gostaria de comprar um iPhone 6 da Samsung? Eu sei que a pergunta parece absurda, mas é isso o que acontece. Simplesmente, ao invés de fazer um produto novo, está sendo terceirizado um serviço oferecido. Se você soubesse que poderia ter algo totalmente genérico a um preço muito mais baixo, ou até de graça, você pagaria por essa mão de obra inútil?

Ainda na questão ética, assinar um projeto de outra pessoa é certo? Imagina se eu assinasse um site feito por outra pessoa, um quadro feito por outro artista. Isso não seria correto e traria grandes problemas para o comprador, que acha que está adquirindo um produto original, quando na verdade, é genérico.

Segundo, os problemas legais. Terceirizar serviço (quarteirizar) oferecido é ilegal! Eu mesmo já processei uma empresa por isso, e ganhei, sem discussão. Não se pode oferecer um serviço e pagar outra empresa para fazer. Tanto que, no meu caso, resolveram mudar o nome e o tipo de serviço para consultoria. Além disso, isso fere os direitos de propriedade intelectual, que é irrevogável! Isso mesmo, não pode ser repassado para ninguém. A propriedade intelectual garante a autoria de projeto, o que é diferente dos direitos comerciais. O autor pode abrir mãos de seus direitos comerciais, mas não pode se abdicar do intelectual. Roubar a autoria do projeto de outro também é ilegal.

O que isso traz de ruim para o cliente e para a prestadora de serviços?

A contratante pode se sentir lesada, pois comprou, muitas vezes, um projeto original. Além disso, o leiaute de uma empresa, instituição ou órgão, deve seguir uma identidade corporativa que é definida em todos os projetos gráficos. O SEO desses templates geralmente não são dos melhores e a semelhança desse site com outros templates genéricos também não são bem trabalhados e podem dificultar o encontro do site pelo Google.

A prestadora de serviço, além do fato da ilegalidade, também está perdendo experiência e estabilidade no mercado. Tornar-se-á pouco confiável.

Mas como deve ser feito então?

Existem 3 formas corretas de trabalhar corretamente com isso:

  1. Criar um Layout e Template Original;
  2. Modificar um Template Free existente, dando devida referência ao template original e deixando claro ao cliente que é uma alteração;
  3. Usar um template free ou pago, mas dar a devida referência ao autor e não ter nenhum lucro direto com isso.

O site da PortilloDesign usa um CMS próprio, criado por nós, que prentendemos abrir o código futuramente. Porém, também trabalhamos com outros CMSs em alguns clientes, onde todos os sites são montados primeiro no Photoshop e depois implementado no código referente ao CMS escolhido. Cada template é único e pensado para a necessidade e estética de cada cliente. Os layouts não aprovados são jogados na lixeira para que não sejam reaproveitados.

O blog The Pink Geeks usou um template modificado e as garotas colocaram no rodapé a assinatura junto com os criadores do template original, por exemplo. O Mesmo acontece com o site do E-Farsas, onde ele coloca: “Tema modificado do FabThemes.com”

Exemplo Geek Pink

Não tem problema nenhum em usar um template free, só deixe no rodapé o autor original e não cobre por algo autêntico, somente pela modificação que fizer. Não mude a autoria do trabalho, isso não vai desmerecer de forma algum o seu conteúdo. Todas as pessoas confiáveis precisam ser transparentes.

Concluindo

Não existe um real monitoramento, registro, fiscalização ou cadastro de empresas e profissionais de TI. Da mesma forma, não existe uma fiscalização sobre o que eles fazem. Existem muitas leis sendo criadas para defender pessoas que aparecem peladas na internet, ou um ou outro xingamento preconceituoso. Mas a parte de negócios continua sendo terra de ninguém. Pessoas disfarçadas de profissionais continuam tripudiando empresários e blogueiros que querem melhorar o seu trabalho.

Vale lembrar de que de forma alguma você pode pegar um template pronto e simplesmente revender, ou modificar e revender, se você foi contratado para fazer o site. Se a ideia é modificar algo pronto, então deixe isso claro e revelado como o serviço. Lembre-se que terceirização de serviço oferecido é ilegal e anti-ético.

Existe até uma ferramenta especializada em verificar se o site usa um template comum ou não, para WordPress:
http://www.wpthemedetector.com

Mas o que vocês acham disso? Tem uma opinião diferente sobre a ética nesse caso? Deixe sua opinião.

Rodrigo Portillo

@portillodesign

Gosto tanto de design que aprendi programação e regras para garantir a estabilidade de meus projetos. Trabalho e trabalhei com desenvolvimento full-stack em diversas linguagens, como Flex, PHP, Java, Javascript, dentre outras. Ainda trabalhei alguns anos como designer gráfico e ilustrador.
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